Policiais São Essenciais

Artigo originalmente publicado pelo jornal O Povo (CE) em 23/03/2021

Fonte: Comunicação Fenapef

Data: 31/03/21

Luís Antônio Boudens

*Artigo originalmente publicado pelo jornal O Povo (CE) em 23/03/2021

Os policiais que integram as forças de segurança pública cansaram. Cansaram de promessas não cumpridas, cansaram de ser deixados de lado. E estão decepcionados com a forma como têm sido tratados. O apoio dos policiais ao governo Bolsonaro, que chegou à esmagadora maioria de todas as categorias, agora está em queda livre e não passa de 40%.

A decepção começou durante a tramitação da Reforma da Previdência. O governo nos prometeu o mesmo tratamento dado aos militares. Mas o resultado foram regras de transição diferentes, integralidade e paridade de aposentadorias e pensões ameaçadas e pensão por morte com normatização bem mais dura. A promessa de equiparação de direitos e vantagens com as Forças Armadas foi deixada de lado pela primeira vez.

Com a tramitação da PEC Emergencial, nova decepção. Uma grande articulação garantiu o direito a promoções e progressões na carreira. Mas os salários serão congelados. O governo não levou em conta que estamos enfrentando todos os dias a pandemia. Que dos dez mil policiais federais da ativa, mil foram contaminados. Isso é muito mais que o índice de contaminação da população brasileira.

O pessoal da segurança pública e da saúde estiveram e estão na linha de frente do combate à Covid-19 durante todo o tempo. E não se sente reconhecido por isso. O clima é de desânimo.

Agora, o Congresso se prepara para votar a Reforma Administrativa. É um texto que massacra ainda mais os policiais federais.

Por isso, a União dos Policiais do Brasil (UPB) marcou manifestações que se iniciaram nessa quarta-feira (17), com uma carreata em Brasília. A Federação Nacional dos Policiais (Fenapef) apoia e participa do movimento.

É uma forma de demonstrar nossa insatisfação. Polícias civis, militares, federais, peritos e outros estão todos decepcionados. Se o presidente quiser manter um mínimo de apoio dos profissionais de segurança púbica, terá que rever a forma com que nos trata.

O pior efeito que se pode gerar numa categoria, como a policial, é desmotivá-la. É um erro gravíssimo. Policiais são essenciais.

Luís Antônio Boudens, 49 anos, é agente especial de Polícia Federal. Foi vice-presidente do Sindicado dos Policias Federais em Minas Gerais e está no 2º mandato de presidente da Fenapef, maior entidade representativa da Polícia Federal, com mais de 14 mil filiados.

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