Agente da PF conclui Treinamento Tático para Interventores em São Paulo

Fonte: Katy Fabruzzi

Data: 05/07/24

No dia 21 de junho, a agente de Polícia Federal Carla Duarte Bara concluiu o Curso de Instrução de Nivelamento de Resposta Tática para 1º Interventor I-24, promovido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. Esse treinamento, considerado extremamente desafiador, tem duração de duas semanas e o objetivo de preparar profissionais de segurança para atuar como primeiros interventores em situações que exigem respostas eficientes a ocorrências de grande porte. Além disso, o treinamento atualiza conhecimentos sobre o manejo de armamentos, munições e equipamentos.

Carla acumula 18 anos e meio de atuação na PF e fez parte de um grupo de 21 participantes do curso. Ela também é professora de Armamento e Tiro e de Abordagem pela Academia Nacional de Polícia. Hoje trabalha no Núcleo de Segurança de Dignitários.
Ela compartilhou com exclusividade para o Sindicato dos Policiais Federais de São Paulo (Sinpf/SP) a relevância desse curso e detalhes sobre sua participação. Veja abaixo:

Sinpf/SP: Em junho foi sua formatura no curso de Nivelamento de Resposta Tática para 1º Interventor I-24. O que o evento representou para você?

APF Carla Duarte Bara: O evento foi uma grande oportunidade de contato com uma elaborada e avançada doutrina desenvolvida pela força coirmã que é o GATE da PM de SP. Em muitos procedimentos a doutrina se assemelha à da nossa própria instituição e em outros aspectos está particularmente alinhada às características dos enfrentamentos diários aos quais a PM está exposta todos os dias em sua função de ostensividade. Além disso a chance de conhecer amigos Policiais de outras áreas de atuação enriqueceu muito minha rede de contatos, essencial para o bom trabalho policial, para inovação e reavaliação de nossas próprias técnicas.

Sinpf/SP: É um curso difícil? Como avalia?

APF Carla Duarte Bara: É um curso com uma carga horária elevada, com duração de duas semanas e, em alguns dias, com aulas noturnas. Foi cansativo, mas, o grande volume de conteúdo foi bem distribuído, aproveitando-se ao máximo o tempo disponível. O importante é estar ciente de que essa imersão é necessária e estar focado em aproveitar ao máximo todo conteúdo e práticas ofertados.

Sinpf/SP: Com a sua experiência profissional, esse curso agregará mais alguma habilidade? Qual?

APF Carla Duarte Bara: Com certeza as informações recebidas enriquecerão minhas habilidades profissionais tanto como policial quanto como professora. Quando você se põe à prova, você percebe que sempre tem algo a aprender ou a aprimorar. Acredito que eu esteja mais preparada hoje para, caso me depare com alguma crise, estando sozinha ou com uma equipe policial, tomar as primeiras medidas, fundamentais para o bom desfecho, controlando o incidente até a chegada de reforço ou de equipe especializada para lidar com aquela situação específica.

Sinpf/SP: De que forma ele ajudará no seu trabalho?

APF Carla Duarte Bara: Em vários aspectos, tais como, entender melhor quando um evento crítico surgir; a importância de se estabelecer perímetros; coletar informações que ajudem a equipe especializada para quando ela chegar; iniciar verbalização com o causador; estar a postos com a equipe policial para ação emergencial. Como professora identifico ser necessário o repasse de tais procedimentos ao nosso efetivo para que, identifiquem, entendam e estejam preparados a atuar como primeiros interventores.

Sinpf/SP: Por ser mulher policial, houve alguma dificuldade ou diferencial positivo?

APF Carla Duarte Bara: Eu, sinceramente, não vi o fato de ser mulher como um diferencial positivo ou negativo. O tratamento foi isonômico durante todo o curso. As dificuldades que senti foram decorrentes da minha estrutura muscular que, obviamente, não é a mesma que a de um homem, contudo, isso é algo inerente ao fato de eu ser mulher. Fazemos o nosso melhor, entendemos nossas limitações, aprendemos a lidar com elas e fortalecemos nossos pontos fortes.

Sinpf/SP: Esse curso é extensivo para todos os policiais federais também? O que é necessário para fazer parte dele? É difícil entrar neste curso? Mais algum colega da PF fez parte de sua turma?

APF Carla Duarte Bara: O curso não é extensivo para todos os policiais federais. É um curso voltado ao efetivo da própria PM/SP para preparar seus policias para situações em que se encontrem como primeiros interventores em uma situação de crise: o que fazer, como se posicionar, quem acionar, como levar a ocorrência até a chegada do grupo especializado ou do apoio. A vaga foi solicitada para uma professora da Academia Nacional de Polícia para que o conhecimento possa ser difundido aos servidores da PF. Nesse evento eu era a única policial federal.

Sinpf/SP: O que considerou mais importante no curso?

APF Carla Duarte Bara: O contato com a doutrina de outra força e com colegas de outra força. Esse tipo de vivência expande nossos horizontes e nos mostra que nunca estamos preparados o suficiente, devemos sempre estar em busca de treinamentos; devemos entender que toda doutrina evolui; devemos entender a relevância do nosso papel e a responsabilidade que é ser um servidor público que tem como ofício proteger e servir à sociedade.

Sinpf/SP: O que você diria para os seus colegas hoje?

APF Carla Duarte Bara: Eu diria para não desperdiçarem as oportunidades de treinamentos e de cursos. Eu diria para acreditarem que SEMPRE temos algo a aprender ou a aprimorar. Que peçam treinamento caso não seja ofertado. Que acreditem que o mundo é violento e é nosso dever estarmos preparados para defender a sociedade.

*Fotos: Navi Militar

OUTRAS NOTÍCIAS

Fenapef consegue redução de reajuste do plano Seguros Unimed

Presidência da Fenapef envia ofício à DGP/PF com minuta do projeto de Lei Orgânica

Diretoria da FENAPEF prestigia posse da nova diretoria do SINPOF/CE

Fenapef e Federal Club fecham convênio para mestrado e doutorado em Universidade do Uruguai