Policial Federal aposentado lança livro

4 de novembro de 2013

 

Alberto Barros da Rocha Junior, vulgo Pipa Voada ou Junior Dalberto, é escritor, dramaturgo e diretor artístico na cidade de Natal/RN.  Entretanto, a vida artística não foi sua única ocupação durante a vida. Até 2010, o então conhecido como APF Barros trabalhou na Policia Federal, e dentro dela, passou por várias cidades como Rio de Janeiro e Recife.

 
Agora, aposentado, realiza o seu grande sonho de criança de seguir carreira no universo da literatura e da arte. Com dois livros de grande sucesso já publicados, que inclusive já ganharam os palcos, Junior Dalberto acaba de lançar, em Natal, o seu terceiro livro “Cangaço e o Carcará Sanguinolento”, uma coletânea de contos.

 
No evento de lançamento do livro, ele foi prestigiado pela Federação Nacional dos Policiais Federais, através do Diretor de Relações do Trabalho Alexandre Ferreira, e por vários amigos e colegas de trabalho. Em entrevista, ele nos contou como sua vivência no DPF serviu como fonte de inspiração para seus livros e enfatiza: “é possível após uma carreira digna dentro da PF, fazer da aposentadoria um meio de se fazer o que gosta e divertir-se com vida”.

 

Quais lições aprendidas na PF te influenciaram, ou até inspiraram na veia artística de escritor, produtor e dramaturgo?
 

Foram muitas as lições aprendidas em trinta anos de serviço por esse Brasil afora: conheci lugares, costumes e culturas em todos os recantos do país onde estive trabalhando pelo DPF e descobri, através do convívio  com colegas em situações extremas, delicadas, de riscos de vida ou simplesmente inusitadas, que o homem não é necessariamente o lobo do homem.

 
Durante meu período de Agente de Polícia Federal no DPF, trabalhei convivendo com colegas novos  e “antigões”, cercados de valores éticos, morais, grandes exemplos de coragem na nossa dura tarefa diária contra o crime. Dessa lição não fica difícil criar personagens bons inspirados na própria instituição. Nessa batalha contra o crime, também me deparei com "bandidos de sangue frio, assassinos cruéis" – como no período que trabalhei no Rio de Janeiro – (Primeira lotação e na "Papudinha do Acre". Galera de Hildebrando Paschoal e Cia). Claro que mesclo um pouco com minha criatividade para dar mais tempero aos leitores. Vivi histórias e situações reais, algumas divertidas, outras complicadas. Tudo serve de inspiração para minha literatura e dramaturgia.

 
 
Hoje a PF vive uma crise de identidade, onde um modelo arcaico de polícia entra em choque com novos policiais com formação acadêmica. Qual a sua visão sobre essa fase difícil que o órgão enfrenta?
 

Eu acredito profundamente em mudanças, como também creio no potencial da experiência adquirida com os erros do passado. Acho que a receita de uma coexistência pacífica seria a união dos valores em prol de um novo DPF, mais ágil, técnico e profissional. Temos grandes valores dentro da Polícia Federal independente de cargos. Acredito que sairemos numa situação bem melhor dessa crise.

Uma das metas da atual gestão da Fenapef é promover um programa de preparação para a aposentadoria, em parceria com a administração da PF. Quais os seus conselhos para quem está prestes a se aposentar ou já se aposentou?
 

Sou totalmente favorável a esse programa, eu pessoalmente tracei metas na minha vida, sempre escrevi minhas "histórias e contos" nos meus períodos livres, só não os publicava. Aguardava a hora certa da aposentadoria para investir em uma  carreira em que eu sempre acreditei. Graças a Deus está dando certo. Em três anos após aposentado, escrevi e publiquei dois livros que se encontram esgotados com aprovações de críticos e público. Peças de teatros, direções musicais, etc. (Acesse o www.junior-dalberto.blogspot.com e conheça um pouco dessa nova carreira). Agora, lanço um novo livro de contos "Cangaço e o Carcará sanguinolento" dia 01 de novembro nas Livrarias Saraivas em Natal.

O conselho que sempre falo para os colegas que pretende se aposentar é: Está preparado? Vai fazer o que? Tem que ter o tempo ocupado com algo que o incite a seguir produzindo, desenvolver novas aptidões, sentir-se útil. Ouse! Proporcione novas descobertas que o faça sentir-se vivo. Se não está preparado para mudanças, continue trabalhando no DPF, siga até a compulsória, mas trabalhe, o trabalho dignifica, dá qualidade de vida. Aposentar-se e não produzir, não vai fazer bem a saúde.

Qual o seu recado para os policiais federais de todo o país?

 
Tenho orgulho de pertencer aos quadros do DPF, sinto-me honrado  e grato a Deus por um dia haver passado em um concurso e ser agraciado com o cargo de Agente de Polícia Federal e ter convivido com tantos bons colegas que se transformaram em amigos leais. Também me orgulho de ser um dos fundadores do Sindicato de Polícia Federal. O recado que deixo é: "A luta continua. Amigos,acreditem! Melhores dias virão."

 



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