Presidente Boudens fala à Jovem Pan sobre perda de direitos dos PF

Fonte: Jovem Pan

Data: 22/11/21

Policiais federais protestaram em frente à sede da PF, em Brasília

Entidades ligadas à Polícia Federal se mostram insatisfeitas com as reformas realizadas pelo governo federal e vêm reduzindo o apoio ao presidente Jair Bolsonaro nos últimos meses. Na última terça-feira, 16, Dia do Policial Federal, agentes trocaram as comemorações pelos protestos, se manifestaram em diversos Estados (principalmente no Distrito Federal) e cobraram valorização. Em nota divulgada no mesmo dia, os sindicatos afirmaram que os policiais perderam direitos, tiveram salários reduzidos e sofreram com congelamentos de investimentos no servidor. Representantes da categoria ouvidos pela Jovem Pan alegam que os agentes foram afetados pela reforma da Previdência, que aumentou o tempo de contribuição e a idade mínima para aposentadoria, e não veem com bons olhos a reforma administrativa. “Perdemos os direitos previdenciários. Ficou muito ruim a reforma, ao passo que algumas outras categorias, como os militares, tiveram um atendimento mais proporcional aos riscos que eles correm. Depois teve a PEC Emergencial, que ameaça congelar investimentos no servidor público por 15 anos. Isso nos preocupa bastante”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF), Edvandir Paiva. Atento à crise, o Palácio do Planalto tenta viabilizar um aumento salarial para a categoria por meio dos recursos que devem ser liberados pela PEC dos Precatórios.

Paiva também ressalta que, com o aumento da alíquota previdenciária, o salário líquido dos policiais federais foi reduzido. “Foi um quadro de perda de direitos e desprestígio que não era esperado. Os policiais se identificaram com o discurso de valorização da categoria, de entender como é a vida do policial. Na prática, perdemos direitos. Então, há uma reclamação em relação ao governo de que aquele discurso não foi concretizado”, diz. Luís Antônio Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e agente especial da PF, lembra que Bolsonaro foi eleito com propostas relacionadas à segurança pública e discursos de exaltação da polícia. “O então candidato Jair Bolsonaro colocou a PF como um ponto fundamental do governo dele, que teria valorização grande de estrutura, de preservação de direitos. E o que nós vimos acontecer, desde o início, foram muitas situações em que as entidades tiveram grande trabalho e se sacrificaram muito, principalmente no Congresso Nacional, para se defender de ataques aos direitos dos policiais.” 

Mesmo a PEC dos Precatórios, que agora tramita no Senado e poderá abrir espaço no Orçamento para aumento salarial da categoria, é alvo de crítica dos agentes. “Nós temos várias ações judiciais que estão já na fase de redução de precatórios, então são várias situações em que estão sendo exigidos muitos sacrifícios sequenciados dos policiais federais”, justifica Boudens. Segundo o presidente da Fenapef, as propostas defendidas pelo governo causaram descontentamento e redução do apoio da categoria ao presidente, principalmente por parte dos delegados. “Há uma cobrança forte da grande massa de policiais que foram apoiadores do governo — muitos ainda são. A PF foi mote de campanha, fez parte do discurso de valorização. Agora nós queremos ver isso na prática”, diz Boudens.

Recentemente, Bolsonaro afirmou que o governo avalia um reajuste para todos os servidores públicos se a PEC for aprovada pelo Congresso Nacional. Trata-se de claro aceno para os agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. “Eu conversei com Paulo Guedes [ministro da Economia]: passando a PEC dos Precatórios, tem que ter um pequeno espaço para dar algum reajuste. Não é o que eles merecem, mas é o que nós podemos dar”, declarou o presidente durante a sua visita ao Oriente Médio. No entanto, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já avisou que o Congresso não vê brecha para aumento salarial aos servidores. Procurado pela Jovem Pan, o Ministério da Economia não quis se manifestar. A reportagem também entrou em contato com o Planalto, o Ministério do Trabalho e Previdência Social e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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