Nota pública – Sobre a morte do PM Wesley Soares Góes

Fonte: Comunicação Fenapef

Data: 30/03/21

A Federação Nacional dos Policiais Federais lamenta profundamente a morte do policial militar Wesley Soares Góes. Mas lamenta ainda mais o uso político do desespero de um cidadão, um servidor público. Não se sabe ainda exatamente o que levou o Wesley a atirar para cima e, depois, contra policiais do Bope, na tarde desse domingo (28) no Farol da Barra, em Salvador.

A única certeza é de que os servidores das forças de segurança estão exaustos. Há um combate diário nas ruas contra um inimigo que não pode ser visto, mas cujos efeitos todos os brasileiros sentem. Os policiais estão a postos desde o início.

E desde o início sofrem pressão e veem seus direitos ameaçados por reformas açodadas. Servidores da segurança pública sofreram com a Reforma da Previdência e a PEC Emergencial (Proposta de Emenda Constitucional 186/19). E a Reforma Administrativa (PEC 32/20) abre ainda mais brechas para prejuízos aos policiais. A pressão é imensa e muitos não resistem.

O índice de doenças mentais entre servidores das forças de segurança é elevadíssimo. E nem sempre há assistência ou mesmo atenção ao problema. Não acontece só na Polícia Militar. Na Polícia Federal, o número de suicídios assusta. Pesquisa realizada em 2019 apontou que, nos cinco anos anteriores, 50 policiais federais cometeram suicídio.

Ou seja, se a Polícia Federal fosse um país, estaria entre as entre as nações com maior índice de suicídio do mundo. Seria o sétimo país em número de suicídios em relação à sua população total.

O assédio moral e o terror psicológico detectados em alguns períodos (como pós-greve ou pós- manifestações públicas) contribuem enormemente para as condições críticas de saúde mental e das relações internas na corporação.

Os mesmos problemas, agravados agora pela pandemia e seus efeitos, afetam todas as forças policiais. O desespero do PM Wesley não pode ser tratado como incitação a rebelião ou motim.

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