Fenapef pede implementação de fato de programa de saúde mental para forças de segurança

Estrutura sindical da Polícia Federal estuda o problema há pelo menos dez anos

Fonte: Comunicação Fenapef

Data: 04/06/21

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, sugeriu, nesta terça-feira (1º), que sejam retomados estudos e dados já reunidos por instituições que avaliam o problema e em pesquisas realizadas pela Fenapef para construir e implementar, o mais rápido possível, um programa efetivo de proteção à saúde mental dos agentes das forças de segurança. Boudens abordou o tema nessa terça-feira (01º) em audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, convocada para debater o Projeto de Lei (PL 4815/19), que tenta construir ações de assistência social, promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio entre profissionais de segurança pública.

Ele também propôs que a Comissão incorpore ideias como o programa de preparação para a aposentadoria, que várias Polícias Militares do Brasil já têm e o programa de reversão de aposentadorias, que serve para aproveitar, nas corporações, alguns policiais que ainda estejam aptos e desejam retornar. Além disso, defendeu as assistências psicossocial, psicológica e de capelania.

Questões como a desmotivação, a quebra do sonho de ser policial e as barreiras que impedem que se concretize a idealização de se tornar um “paladino da justiça”. Essas são algumas causas indicadas por policiais federais para o desalento com a carreira. Esse desalento é um caminho para a depressão e, em muitos casos, quando a depressão se agrava demais e não há ajuda, para o suicídio.

Dados e pesquisas

Foi a terceira vez em que a Fenapef esteve no Congresso Nacional para discutir o problema, que o sistema sindical da Polícia Federal enfrenta com medidas de acolhimento e proteção ao filiado desde 2010. A entidade promoveu pesquisas em 2013 e 2016 com a ajuda do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipol-DF), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade de Brasília (UnB).

As pesquisas indicaram dados multifatoriais para o problema. Um deles, a forma como a gestão da corporação trata a questão: como se fosse um problema pessoal do policial, distante da realidade do trabalho.

“Somamos um período de dez anos em que computamos todas as mortes de policiais federais no período da pesquisa. Do total de 51 mortes, 26 foram por suicídio”, lembrou Boudens, reforçando que morreram, na época, mais policiais por suicídio que em combate e em acidente de trânsito.

Os esforços da Fenapef resultaram na edição da Portaria Interministerial n° 002/10, que traz um programa de atenção à saúde mental e aos direitos humanos de trabalhadores das forças de segurança. Mas os policiais ainda se ressentem da falta de efetividade dessas ações. “Há dois anos levamos nossa demanda ao Ministério da Justiça e as providências que pedimos não foram tomadas ainda”. Boudens pediu ajuda à Câmara no sentido de fazer avançar um estudo que está em fase de elaboração no Ministério da Justiça. “Ele se baseou nos mesmos princípios da Portaria n° 002 e é muito importante que seja colocado em prática”, concluiu.

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