As mulheres já são quase 50% dos presos por tráfico de drogas no aeroporto de Guarulhos

Data: 30/07/18

A PF realizou um levantamento sobre os casos registrados no primeiro semestre de 2018, que revelou um aumento da participação das mulheres no crime. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

No primeiro semestre deste ano, a PF (Polícia Federal) prendeu 62 mulheres por tráfico drogas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. O número representa 45,6% do total e aumentou em relação ao mesmo período de 2017.

O levantamento da PF aponta que entre janeiro e junho foram efetuadas 136 prisões em flagrante de pessoas que tentavam entrar ou sair com entorpecentes do País e a atuação das mulheres tem aumentado no ramo.

Na noite da última quinta-feira (26), uma mulher de 29 anos, moradora do estado de Goiás, foi abordada em Cumbica quando despachava duas malas com 40 kg de cocaína. Ela foi presa e disse que receberia R$ 40 mil para levar a encomenda para Portugal.

Este foi o terceiro caso em menos de duas semanas: no dia 14, uma mulher de 39 anos foi presa quando tentava embarcar para Angola com cocaína amarrada nas pernas; no dia 18, outra mulher foi presa antes de seguir para a África com cocaína escondida nas alças da mala de viagem.

De acordo com o estudo a Polícia Federal, em 2016, 33% das prisões em flagrante por tráfico no aeroporto foram mulheres, no ano passado as mulheres representaram 42,5% e, neste ano, 45,6%.

Para a polícia, os traficantes usam as mulheres como “mulas” para tentar driblar a fiscalização, um aposta errada, segundo o chefe da delegacia especial. “A gente não avalia se é homem, mulher, estrangeiro ou brasileiro. Buscamos passageiros que possam estar praticando ilícitos e conseguimos identificar esse perfil”, afirma o delegado Rodrigo Weber de Jesus.

Método

Nos seis primeiros meses de 2018, a Polícia Federal apreendeu 866 kg de drogas no Aeroporto de Cumbica. A quantidade de drogas apreendidas aumentou significativamente.

Nos últimos três anos, cada preso levava em média 5 kg de entorpecentes; neste ano, a média subiu para 6,5 kg. Os disfarces são variados – há drogas escondidas em fundos falsos, nas rodinhas das mala, no forro de bolsas, no solado de tênis e até em peças de carro.

Sistema penitenciário

Negras, jovens, mães, solteiras e milhares. Atrás das celas do sistema penitenciário brasileiro estão 42.355 mulheres — 656% a mais em relação ao total registrado no início dos anos 2000, de aproximadamente 6 mil. Quarto país que mais prende no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia, o Brasil tem penitenciárias superlotadas, onde 45% da população carcerária sequer foi julgada. A falta de políticas públicas ameaça o sistema em que as mulheres continuam longe de casa sem prover o sustento e a educação dos filhos. Entre os crimes cometidos, o mais comum ainda é de um mercado ilegal paralelo: o tráfico de drogas.

Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias reunidos até junho de 2016, em relação à taxa de aprisionamento de mulheres por 100 mil habitantes, o País deixa de ser o quarto e passa para o terceiro lugar — atrás apenas dos Estados Unidos e da Tailândia, com 40,6. O índice de ocupação, por sua vez, reflete um sistema sem estrutura para manter prisioneiras, com 156,7%. Do total de mulheres presas, ao menos 45% delas aguardam para serem julgadas — um descontrole estrutural por parte do Estado e do Judiciário. Nas carcerárias masculinas, até o mesmo período, havia 726.712 presos —  com 97,4% de superlotação, quase dois presos por vaga.

O levantamento mostra que há crescimento constante na tipificação de crimes, sobretudo tráfico de drogas, que corresponde a 62% das incidências penais. Ou seja, três em cada cinco mulheres que se encontram no sistema prisional respondem por ligação ao tráfico. Entre as tipificações relacionadas, a associação para o tráfico corresponde a 16%, e o tráfico internacional de drogas responde por 2%.

Do total da população prisional feminina, ao menos 62% delas são de mulheres negras. Proporcionalmente, há 25.581 mulheres negras presas para 15.051 mulheres brancas. Entre o total de detentas, 62% são solteiras e precisam sustentar, sozinhas, a própria casa. Além das demandas financeiras, têm a responsabilidade de criar os filhos. Ao menos 74% da população carcerária feminina é mãe. Em relação aos homens, apenas 47% alegam serem pais.

O Sul

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