Grampo indica dono de construtora pedindo encontro

Data: 25/04/12

Grampos obtidos pela Polícia Federal indicam que o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, e o diretor executivo da empreiteira, Carlos Pacheco, estavam entusiasmados, em 2009, para conhecer o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, parceiro da empresa em negociatas com o poder público, segundo o inquérito da Operação Monte Carlo. Numa conversa interceptada em 20 de maio daquele ano, o então diretor da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, desfia elogios ao contraventor e fala do interesse dos chefes em se aproximar dele. “Você é meu grande guru. Tô falando tão bem de você para Fernando e Pacheco que eles estão doidinhos para te conhecer”, comenta. “Excelente”, comemora o bicheiro. A declaração foi feita em telefonema no qual Cachoeira explica a Abreu como vinha negociando com ex-vereadores de Goiânia para barrar investigação da Câmara sobre obras da Delta na cidade, durante a gestão do ex- prefeito Íris Rezende (PMDB). A suposta a nimação dos executivos da empreiteira com o contraventor viria do empenho dele em ajudar a empresa. Cachoeira intermediava a retirada de assinaturas de dois parlamentares de requerimento para criar uma comissão de inquérito que apuraria supostas irregularidades em obras da Delta. “ O Juarez (Lopes, PTN) e o Henrique (Arantes, PTB) vão tirar em conjunto, entendeu?”, explicou o contraventor, segundo gravação divulgada pelo blog do jornalista Cleuber Carlos, de Goiás. “O presidente tá só aguardando. Vai os dois lá e tira”, retrucou Abreu. Filho do deputado federal Jovair Arantes (PTB), Henrique é o atual secretário de Cidadania e Trabalho de Goiás. Lopes deixou a Câmara para assumir a Secretaria Legislativa da Prefeitura de Goiânia.

 

 

Na gravação, Abreu diz estar em reunião no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Brasília –principal contratante da Delta no governo federal –, da qual participaram Cavendish e Pacheco: “O Fernando saiu daqui agora, lá para o Congresso, de novo, e o Pacheco foi para Salvador”. Desde o início do escândalo que revelou suas ligações com Cachoeira, a Delta tem reiterado que os contatos do contraventor se limitavam a Abreu, com quem mantinha relacionamento pessoal. Cavendish sustenta que foi apresentado apenas socialmente a Cachoeira, num evento “sem maior relevância”. Em nota divulgada ontem, a empreiteira alegou ser vítima de “vazamentos parciais e descontextualizados de áudios saídos de interceptação telefônica de um inquérito sigiloso” e que não teve acesso às gravações. “A Delta tem sido informada de partes editadas e manipuladas de conversas que saem na mídia. Em razão disso, a empresa não se pronunciará sobre o assunto”, justificou, acrescentando que repudia c onclusões precipitadas sobre as gravações.

 

 

Influência. As investigações da PF revelam a influência de Cachoeira sobre políticos de Goiás, ao ponto de usá-los para negociações com o governo do Estado. Num dos grampos, de maio de 2009, um dos aliados do contra-ventor, Luiz Okamoto, diretor de uma rádio, dá a ele um recado do deputado Sandes Júnior (PR), que estaria intermediando interesses do contraventor no governo de Alcides Rodrigues (PP). “Acabei de falar com o Sandes, ele pediu para ficar para segunda-feira, que ele quer ir nessa reunião contigo, tudo pronto, que ele vai viajar com o governador e volta. E amanhã ele vai estar com o Braga (Jorcelino Braga, então secretário da Fazenda de Alcides ). Ele falou: ‘Eu quero sentar com ele, Okamoto, já com os negó-cios tudo definido (sic)’”, relata. Sandes Júnior, que desde ontem é investigado por suas rela-ções com Cachoeira, diz que, à época, Okamoto o procurou para que o ajudasse a conseguir que um programa fosse veiculado na rádio. Ele nega ter negociado com Cachoeira.

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