Rotas alternativas são usadas para contrabando na fronteira do RS com o Uruguai

11 de dezembro de 2017

Para burlar a cota máxima de 300 dólares, muitas pessoas que vão ao Chuí, na fronteira do Brasil com o Uruguai, no extremo Sul do Rio Grande do Sul, usam rotas alternativas para transportar mercadorias entre os países. O motivo é que quem chega do país vizinho precisa declarar os produtos na Receita Federal.

Até o sábado (9), uma série de reportagens vai mostrar a fragilidade da segurança nas linhas de fronteiras do Rio Grande do Sul. Na quinta-feira (7), foi relatada a entrada ilegal de mercadorias por Aceguá. Na última matéria, será apresentado como está o controle na divisa com a Argentina.

Contudo, nem mesmo nos feriados, quando o movimento de turistas em busca de compras nos free shops aumenta, a fiscalização é realizada. “Essa semana nós passamos três vezes ali e nenhuma das três vezes fomos abordados, nenhuma fiscalização na Receita”, conta a doceira Bárbara Moura.

A reportagem da RBS TV passou pela aduana brasileira diversas vezes, em diferentes dias e horário, e em nenhum momento foi abordada. A Receita Federal admite que não tem conseguido fazer esse trabalho diariamente e um dos motivos é a falta de servidores. Segundo o auditor fiscal Cassius Garcia, 25 pessoas trabalham neste posto, mas o necessário seria o dobro.

Quase 166 mil pessoas já passaram pelo posto de migração em 2017. Os meses de janeiro e abril foram os de maior movimento. Segundo a Polícia Federal, os crimes mais registrados na fronteira são tráfico de drogas e armas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além do contrabando de mercadoria.

No entanto, as autoridades relatam que se controlar os veículos que passam na aduana já é difícil, a situação fica ainda mais complicada nos caminhos alternativos usados pelos contrabandistas. Um deles é pela beira da praia da Barra do Chuí, a 11 quilômetros da aduana principal. Outra rota utilizada é uma estrada que fica na zona rural do Chuy, no lado uruguaio.

Uma moradora que preferiu não se identificar relata que durante a noite é quando acontece o maior movimento. “De dia eu olho e são os vizinhos. De noite tem muito movimento de carro e de caminhão”, diz.

A Receita Federal admite que os caminhos alternativos são rota de crimes. “A região tem diversos outros acessos, mas as nossas equipes estão sempre atentas. Se passar fora da rota principal, a mercadoria vai ser perdida não vai haver a possibilidade de efetuar o pagamento dos tributos e levar a mercadoria adiante como ocorreria se parassem na nossa unidade”, alerta Garcia.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), que também poderia fazer a fiscalização, enfrenta dificuldade com o efetivo. “O nosso déficit de efetivo gira em torno de 50% nos últimos anos. No momento realmente estamos desempenhando as nossas atividades dentro das possibilidades”, explica o chefe da PRF na região, Fabiano Goia.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul (Sinpef), Ubiratan Sanderson, o que falta é uma política de segurança pública voltada para as áreas. “A fronteira seca entre Uruguai e Brasil, considerando que o Uruguai também não tem uma politica rígida de segurança pública, somada ao abandono das entidades policiais brasileiras, vira, na verdade, uma terra de ninguém”, afirma.

O delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Sergio Busatto, diz que o foco é a área de inteligência e a investigação de grupos criminosos que traficam armas, bebidas e drogas.

Fonte: G1



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