Polícia Federal deflagra nova fase da Operação Acrônimo

27 de outubro de 2016
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Benedito Oliveira Neto, o Bené: ele relatou conversa com o governador Fernando Pimentel – André Coelho / Agência O Globo / Arquivo

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 11ª fase da Operação Acrônimo. Os agentes cumprem 20 mandados judiciais, sendo dez buscas e apreensão e dez conduções coercitivas, em três estados e no Distrito Federal — quatro buscas e seis conduções coercitivas no Distrito Federal, uma busca e uma condução no Rio, uma busca em São Paulo e quatro buscas e três conduções em Minas Gerais. Entre os alvos está o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené. Ele foi levado coercitivamente porque há a suspeita de que o empresário omitiu informações em delação revelada pelo O GLOBO.

Em maio, Bené fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e acusou o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, de receber propina de empresas beneficiadas com financiamentos do BNDES. Num dos depoimentos da delação, Bené afirmou que só da Caoa, representante da Hyundai no Brasil, Pimentel teria sido destinatário de mais de R$ 10 milhões.

Os mandados desta nova fase foram autorizados pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

“A operação está focada em dois inquéritos policiais que apuram eventos distintos da investigação. Um deles refere-se à cooptação e pagamento de vantagens indevidas para que empresa de publicidade elaborasse campanhas educativas do Ministério da Saúde, Ministério das Cidades e Ministério do Turismo nos anos de 2011 e 2012”, informa a PF.

O outro evento investigado nesta fase é fraude em licitação da Universidade Federal de Juiz de Fora, vencida pela gráfica de um dos investigados. Posteriormente, o Ministério da Saúde utilizou a mesma ata fraudada.

De acordo com a Polícia Federal, as ações desta nova fase são desdobramentos da investigação que tramita no Superior Tribunal de Justiça. O magistrado relator do caso determinou o encaminhamento de parte da apuração à Justiça Federal de primeira instância, por não envolver investigados com prerrogativa de foro naquela Corte.

A Operação Acrônimo investiga um esquema de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais envolvendo gráficas e agências de comunicação. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), é suspeito de ter utilizado os serviços de uma gráfica durante a campanha eleitoral de 2014 sem a devida declaração dos valores e de ter recebido “vantagens indevidas” do empresário Benedito Oliveira, conhecido como Bené.

De acordo com investigações, Bené e Pimentel intermediaram empréstimo do BNDES para a construtora JHSF. E há suspeita, segundo a polícia, de que a campanha do governador tenha recebido verba irregular do instituto de pesquisa.



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