O delegado Luiz Fernando Corrêa vai entrar para história da Polícia Federal como o diretor-geral que assumiu o cargo com apoio da maioria dos servidores e irá sair com mais de 80% de rejeição. Mas engana-se quem vê o índice de rejeição do delegado Luiz Fernando apenas como resultado de sua administração. Os mais de 80% de rejeição são também o sintoma de uma polícia com servidores desmotivados e sem a devida valorização de suas funções dentro do órgão...
Historicamente, os Escrivães DE Polícia Federal sempre estiveram atrelados a uma autoridade policial. Historicamente, quando o EPF sai de férias, licença, viaja em missão, de duas uma: ou os inquéritos sob a carga daquele servidor permanecem parados (fato menos comum) ou outro escrivão é designado para acumular aquela carga (fato mais comum), o que é humanamente impossível cumprir a contento. Historicamente, quando um EPF se afasta, por qualquer motivo, quando do seu retorno, percebe que as “torres gêmeas” não caíram e, sim, foram transportadas para a sua mesa...
A revista Época desta semana ainda repercute o plebiscito que reprovou a gestão do atual diretor geral da Polícia Federal. Em nota, a revista registra a esmagadora rejeição ao DG.A publicação destaca que em 22 estados do país os servidores disseram não ao diretor.
A Vigilância Sanitária apresentou laudo reiterando várias determinações anteriores não cumpridas pelo DPF para que as instalações tivessem condições mínimas de funcionamento. “O corpo de bombeiros, depois de realizar inspeção informou que caso a custódia não seja totalmente reformada ou fechada pode haver interdição de todo o prédio da Delegacia”, revela a delegada sindical Bibiana Orsi...
Por: Wilson Aquino
Há 46 anos, o comissário Sérgio Romero Mouta desempenha uma tarefa que exige extrema habilidade manual e profundo conhecimento de mecânica. Com a delicadeza de um ourives, ele desmonta o artefato de trabalho para limpar os pequenos elementos da engrenagem, trocar partes desgastadas, lubrificar molas, varrer a poeira com minúsculos pincéis, desempenar os pedaços amassados com suaves marteladas e até se arrisca a criar, adaptando peças de objetos semelhantes, quando não há sobressalentes para substituir as originais danificadas. Um trabalho artesanal, meticuloso e da maior importância, já que o resultado é uma questão de vida e morte. Sérgio Mouta, ou simplesmente Serginho, é o primeiro armeiro da história da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Seu trabalho é cuidar de fuzis, pistolas, revólveres e tudo o mais que usa bala e pode matar. Testemunha viva da evolução bélica das forças de segurança e do crime organizado, Serginho recorda que quando começou na antiga Polícia Municipal do Distrito Federal, em 1963, a polícia usava armas hoje consideradas rudimentares, como o revólver Smith & Wesson, calibre 38, e carabinas Reising, de 12 tiros. Menos mal, porque à época muitos bandidos não passavam de punguistas, golpistas e malandros, que rendiam suas vítimas com canivetes earmas de pequeno porte, como revólveres calibre 22 ou 32 e fugiam ao ouvir a sirene das patrulhas. “Arma é tudo igual, desde os tempos do Colt. Ela tem é que funcionar” Já na década de 70, a polícia passou a encomendar submetralhadoras Walther, além de pistolas Taurus e espingardas de repetição Mosberg e Remington, ambas americanas, calibre 12. Nessa ocasião, o crime já começava a se organizar, e no mercado negro, os bandidos tinham acesso às pistolas calibre 45, de uso restrito das Forças Armadas, bem como as escopetas calibre 12. Porém, foi na década de 80 que Serginho viu que no paiol da polícia já não se encontrava armamento capaz de competir com o poder de fogo do crime organizado, que passou a contrabandear, junto com drogas como cocaína e maconha, metralhadoras Ina e Uzi de fabricação israelense, calibre 9 mm com carregadores de até 40 tiros. Nos anos 90, com os bandidos dominando territorialmente a maior parte das quase 500 favelas da cidade e defendendo seus bunkers com a força letal dos fuzis AK- 47 e M-16, a polícia se viu acuada. Subir o morro para prender traficantes exigia um planejamento e um contingente muito grande de agentes, porque então os criminosos já não corriam mais dos homens da Lei. Enfrentavam. Para fazer frente ao arsenal do crime e ao mesmo tempo driblar a burocracia imposta para a aquisição de armas, a polícia do Rio teve que pedir autorização à Justiça para fazer uso do armamento apreendido com os próprios criminosos. Serginho acompanhou o avanço tecnológico das armas, mas, com a objetividade que aprendera na profissão, decreta: “Arma é tudo igual, desde os tempos do Colt. Ela tem é que funcionar. EXPERIÊNCIA ” O Colt em questão é o industrial americano Samuel Colt, que, em 1835, inventou o revólver mais famoso do mundo, o Colt 45. Filho do sargento do Exército José Mouta, um dos fundadores da polícia de Vigilância do Rio, em 1934, Serginho entrou para a área de segurança pública como mecânico em 1963 – quando nem existia a profissão de armeiro na instituição e a manutenção era feita pelas Forças Armadas. “O armamento ia para o Exército e às vezes demorava um ano para voltar”, lembra ele, que assumiu a missão em 1965. Ao longo de tantos anos, estima que tenha manuseado mais de 100 mil armas, entre as oficiais da polícia e as apreendidas com criminosos. A importância do comissário para a instituição policial ficou clara quando ele anunciou a aposentadoria no início de 2009. “Sem o Serginho, a situação ficou tão grave que tive que criar cursos de armeiros para formar gente para substituí- lo”, revela o chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, afirmando que Sérgio Mouta é um dos profissionais mais respeitados da polícia. O comissário, que como mestre na matéria hoje dedica boa parte de seu tempo repassando o conhecimento adquirido através de décadas de prática, garante que a manutenção correta é o grande segredo para o funcionamento perfeito da máquina de matar. “Ocerto é o policial fazer a limpeza e lubrificação, com óleo próprio, da arma que usa. Mas, infelizmente, tem gente que não sabe nem desmontar uma pistola”, adverte Serginho, apontando a qualidade das munições como outro causador de defeitos nos armamentos. Para Serginho, uma boa arma pode fazer a diferença, mas o ator principal da ação, desde os remotos tempos das garruchas, continua sendo o dono do dedo que aperta o gatilho. Embora admire os objetos de seu trabalho, ele lamenta a invenção de Colt. “Isso não era para existir.” 
Sérgio Romero Mouta, armeiro da Polícia Civil do Rio
Sem ter quem fizesse seu trabalho, Mouta teve que abandonar a aposentadoria, voltar e treinar policiais mais jovens em seu ofício
Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três