O delegado Luiz Fernando Corrêa vai entrar para história da Polícia Federal como o diretor-geral que assumiu o cargo com apoio da maioria dos servidores e irá sair com mais de 80% de rejeição. Mas engana-se quem vê o índice de rejeição do delegado Luiz Fernando apenas como resultado de sua administração. Os mais de 80% de rejeição são também o sintoma de uma polícia com servidores desmotivados e sem a devida valorização de suas funções dentro do órgão...
Historicamente, os Escrivães DE Polícia Federal sempre estiveram atrelados a uma autoridade policial. Historicamente, quando o EPF sai de férias, licença, viaja em missão, de duas uma: ou os inquéritos sob a carga daquele servidor permanecem parados (fato menos comum) ou outro escrivão é designado para acumular aquela carga (fato mais comum), o que é humanamente impossível cumprir a contento. Historicamente, quando um EPF se afasta, por qualquer motivo, quando do seu retorno, percebe que as “torres gêmeas” não caíram e, sim, foram transportadas para a sua mesa...
A revista Época desta semana ainda repercute o plebiscito que reprovou a gestão do atual diretor geral da Polícia Federal. Em nota, a revista registra a esmagadora rejeição ao DG.A publicação destaca que em 22 estados do país os servidores disseram não ao diretor.
A Vigilância Sanitária apresentou laudo reiterando várias determinações anteriores não cumpridas pelo DPF para que as instalações tivessem condições mínimas de funcionamento. “O corpo de bombeiros, depois de realizar inspeção informou que caso a custódia não seja totalmente reformada ou fechada pode haver interdição de todo o prédio da Delegacia”, revela a delegada sindical Bibiana Orsi...
O teor das considerações expressas neste espaço são de inteira e exclusiva responsabilidade dos respectivos signatários, inclusive no caso de ações judiciais. Portanto, as opiniões aqui expressas não tem qualquer vínculo com a FENAPEF.
16/06/2009
Por: Valacir Marques Gonçalves
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No início do mês, cometi a insanidade de viajar do Rio Grande do Sul ao Amapá num vôo sem conexão. O avião fez escala em Brasília e Belém do Pará enquanto eu permanecia na “aeronave” - jejuando... Primeira constatação: que saudade da Varig! Como todos, tenho meus defeitos, dentre eles, meu “preferido”: o bairrismo... Talvez, por isso, considerava a Varig algo “nosso”, sinônimo da perfeição... Lembro até que diziam que todo o gaúcho sonhava em ser um avião da Varig... Quando vejo Barack Obama dando sinal verde para a estatização da GM, fico revoltado; não consigo entender por que motivo permitiram que ela morresse. Como ela faz falta. Convenci-me disso quando exorcizava meus fantasmas atravessando o país, sustentado apenas por bolachas e refrigerantes servidos em copos de plástico (não esqueço a “moça da Varig” perguntando se eu queria vinho branco ou tinto). Sem falar que passei frio, e molestei meu pescoço pela falta de um simples travesseiro...
Agora estou lendo que uma companhia está pensando em vender alimentação durante os vôos. É a mesma que anunciou, com pompa, que implantaria vôos mais baratos do que a concorrência. O resultado de acreditarmos na balela é que estamos pagando, hoje, os mesmos preços que pagávamos antes, e sem conforto algum. Mas, voltando à venda de alimentos: informo que não concordo. Declaro que vou levar minha galinha com farofa, vou preparar, também, um sanduba reforçado, pois certamente vão cumprir a palavra e cobrar quinze paus por duas fatias de pão, recheados com filetes de queijo e presunto... Estou pensando em oferecer meus préstimos aos demais passageiros e mostrar o meu cardápio nos saguões dos aeroportos. No mínimo, garanto um preço um terço menor...
Viajar de avião está complicado. A ida ao Amapá não foi meu primeiro “drama”. Certa vez estava numa fila esperando a vez de fazer o tal “check-in” para viajar até a bela Natal. Levantei de madrugada, tenso, pois o deslocamento até o aeroporto em Porto Alegre envolve risco de vida. Andar de madrugada na cidade é quase como circular em Bagdá... Cheguei às quatro horas da manhã, com duas horas de antecedência, achando que estava com tempo sobrando... Comecei a ficar preocupado na fila, ela não andava. Fui até o balcão e externei meu desconforto. A funcionária me olhou e disse num tom professoral: fique tranqüilo, pode voltar para o seu lugar que o senhor vai viajar. O tempo cada vez ficava mais escasso. Quando consegui chegar ao balcão a tal funcionária concluiu seu trabalho e começou a gritar: Corra! Corra! Saí em desabalada carreira até o embarque e ouvi a frase terrível: o serviço está encerrado! Voltei para casa frustrado. Recorri à Justiça e obtive uma sentença “reparadora” por tudo o que passei: a empresa foi “condenada” a ressarcir minha passagem - nada mais...
Por morar no extremo sul, quase sempre faço conexão em Brasília quando me dirijo ao norte-nordeste. O aeroporto da cidade mostra bem o que se tornou uma viagem aérea. O Brasil conseguiu inovar: transformou o aeroporto da capital federal numa rodoviária precária sem que ninguém notasse, pois não vejo ninguém reclamar. Vejo gente dormindo no chão, crianças chorando, correndo, banheiro com filas, e, principalmente, uma volta ao passado: ônibus esperando na pista para levar os passageiros até o saguão. Na hora da “conexão” nos indicam um “porão” onde apanhamos mais um ônibus que nos leva até a outra aeronave. É muita desconsideração, é muito desprezo pelos passageiros. Faz tempo que não viajo de ônibus, mas certamente não deve estar pior - no mínimo empata...
Falo isso porque quando completamos a desastrada conexão e conseguimos embarcar, o suplício continua. Conseguiram diminuir a distância das poltronas: num dia desses quase engoli as tais bolachinhas com copo e tudo. As “comissárias” (ex-aeromoças), vestidas de “domésticas” - junto com os “comissários - só se preocupam em mandar apertar os cintos e “desreclinar” as poltronas. Não tem mais o jornal que nos distraia, mas eles oferecem balas, sem falar que permitem gente portando verdadeiros containers “de mão”, os quais são acomodados de qualquer maneira. Qualquer dia, um negócio daqueles vai matar alguém quando despencar lá de cima...
Mas é isso aí, não tem jeito, precisamos nos conformar. Já fiz promessa pra São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Pedi a ele que ilumine os responsáveis pelas companhias aéreas, pedindo que não sejam diminuídos ainda mais os espaços entre as poltronas e conservem, pelos menos, a água mineral. Pedi também que mantenham o banheiro como cortesia e não se incomodem com o meu sanduba e a minha galinha com farofa...
e-mail vala1@uol.com.br
blog www.valacir.com
Fonte: Agência Fenapef