Entidades de classe reagem à nomeação do ministro da Justiça e esperam que ele não interfira na Lava Jato

30 de Maio de 2017

Após o presidente Michel Temer decidir trocar o comando do Ministério da Justiça, entidades que representam delegados e policiais federais reagiram à nomeação de Torquato Jardim para a pasta. A Polícia Federal é subordinada ao ministério.

Neste domingo (28), o Palácio do Planalto anunciou que Jardim, que comandava o Ministério da Transparência, passaria à chefia do Ministério da Justiça.

Ele vai assumir o cargo no lugar de Osmar Serraglio, do PMDB, que ainda não confirmou se vai aceitar o convite para assumir o lugar que será deixado por Torquato Jardim na Transparência.

Após o anúncio, entidades de classe reagiram à nomeação de Jardim e disseram ver com “preocupação” a troca na Justiça. O maior temor é de que a troca afete as investigações da Operação Lava Jato.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que qualquer mudança no comando do Ministério da Justiça “gera preocupação e incerteza sobre a possibilidade de interferências no trabalho realizado pela Polícia Federal”.

“Os delegados de Polícia Federal foram surpreendidos com a notícia da substituição, até mesmo porque desconhecem qualquer proposta de Torquato Jardim para a pasta”, afirma a associação na nota.

Já a Federação Nacional dos Policiais Federais disse esperar que o novo ministro aja com imparcialidade, sem qualquer tentativa de influência nas investigações da Polícia Federal, especialmente na Lava Jato.

Interlocução

Dentro do governo, Torquato Jardim é visto como uma pessoa com bom trânsito no Judiciário, por já ter sido ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a nomeação, o Planalto espera melhorar a interlocução do governo nos tribunais.

Jardim foi nomeado para a Justiça às vésperas do julgamento no TSE que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, que venceu as eleições de 2014.

Mas o fator decisivo para a mudança é que o novo ministro da Justiça é avaliado como alguém que pode ter mais controle sobre a Polícia Federal. Depois do anúncio, ele falou à colunista do G1 Andréia Sadi e disse que vai ouvir as demandas de Temer e fazer uma avaliação própria sobre o ministério.

Entre os pontos que serão avaliados, segundo ele, está a permanência ou não do atual diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

“Esse troca-troca de ministérios mal explicado não tem nada a ver com interesse público. Tem a ver com interesse do governo de se auto proteger”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).



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