Doleiros presos pela PF guardavam dinheiro vivo em lojas alugadas

3 de Maio de 2018

Os doleiros que atuavam como operadores a fim de fomentar um suposto esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral escondiam fortunas em lojas alugadas. A informação consta na decisão assinada pelo juiz titular da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, que culminou na Operação da Polícia Federal Câmbio, desligo, deflagrada na manhã desta quinta-feira (3/5).

Conforme sustenta o magistrado no processo, os investigados “alugaram salas comerciais equipadas com cofre, alarme, portas blindadas e controle de acesso, a fim de armazenarem os recursos utilizados nas operações ilícitas”. Bretas prossegue ressaltando que os doleiros passaram a substituir os escritórios tradicionais por estabelecimentos.

Para evitar levantarem suspeitas, todos os imóveis eram locados sempre com três empresas e por meio de apenas um funcionário, identificado como Walter Mesquita.

Práticas corruptas

O juiz da Lava Jato ainda fez duras considerações ao concluir seu despacho. Marcelo Bretas diz entender que casos como esse não podem ser tratados como crimes menores, “basta considerar que os recursos públicos que são desviados por práticas corruptas deixam de ser utilizados em serviços públicos essenciais, como saúde e segurança públicas e, no caso específico, valores de titularidade dos trabalhadores”, escreveu

A operação foi batizada de Câmbio Desligo e os mandados autorizados pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Estão sendo cumpridos um total de 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e seis de prisão preventiva no exterior, quatro de prisão temporária, e 51 mandados de busca e apreensão.

Principal alvo da operação, Messer é um antigo doleiro do Rio de Janeiro que após o caso Banestado – maior escândalo de lavagem de dinheiro da história do Brasil – mudou sua banca para o Uruguai e para o Paraguai. A “Câmbio, Desligo” também cumpre mandados judiciais nos dois países.

Delação de Youssef

Messer seria o nome por trás do operador Juca Bala. Ele é conhecido como “doleiro dos doleiros”. Na primeira delação de Alberto Youssef, em 2004, ele apontou Messer como um dos responsáveis por dar “cobertura de mercado” a outros operadores financeiros menores que atuavam no dólar-cabo e em outras transações para lavagem de dinheiro.

Em um depoimento dado em 2004 ao juiz Sergio Moro e aos procuradores da força-tarefa CC5, Youssef disse que naquela época eram poucos “doleiros de doleiros” no Brasil e que um deles, além do próprio Youssef, era Messer.

“Bom, um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Messer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni. O Antônio Pires, eu nunca negociei com ele, então, o meu relacionamento com ele era praticamente zero, eu conheço de nome, e sei com quem ele operava, mas nunca assim”, disse Youssef.

Operador de uma das contas da Beacon Hill, conta-ônibus no JP Morgan Chase, de Nova York, no qual vários doleiros brasileiros mantinham sub-contas, Messer foi um dos alvos da operação Farol da Colina, sob tutela do até então desconhecido juiz Sergio Moro. Somente na Beacon Hill, as autoridades encontraram movimentações de US$ 13 bilhões provenientes de brasileiros.

Quando os investigadores do Banestado chegaram a Messer, ele se mudou, segundo Youssef, para o Uruguai. “A mesa do Messer foi para o Uruguai, eles estão trabalhando lá com sistema de call back, o Juan Miguel que é do Integracion também está no Uruguai, também estão trabalhando com o sistema call back. Sobrou o pessoal do Rio que está lá, estão quebrados, mas ainda continuam no mercado operando um pouco”, afirmou o doleiro que deu origem à Lava Jato.

Outros doleiros

A Câmbio Desligo também lançou olhares para outros dois doleiros: Sergio Mizhay e Enrico. Segundo os agentes que participam da operação, eles integravam um sofisticado esquema para lavar dinheiro por um sistema batizado de “Bank Drop”. O primeiro foi surpreendido pelos federais em um luxuoso apartamento de Ipanema.

Às 6h02, a PF cumpriu o mandado prisão de Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro, no centro de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Cordeiro é acusado de ser um dos operadores da Odecrecht no contato com integrantes do governo federal. Além da detenção, os agentes federais levaram computadores e documentos da casa dele. O suspeito já havia sido preso, em 2016, na 26ª fase da Lava Jato. (Com informações da Agência Estado)

Veja a lista de todos os alvos da Operação Câmbio Desligo 

Dário Messer
Marcelo Rzezinski
Roberto  Rzezinski
Cláudia Mitiko Ebihara
Lígia Martins Lopes da Silva
Carlos Alberto Lopes Caetano
Sérgio Mizhray
Carlos Eduardo Caminha Garibe
Ernesto Matalon
Marco Ernest Matalon
Patrícia Matalon
Bella Kaireh Skinazi
Chaaya Moghrabi
Marcelo Fonseca de Camargo
Paulo Sérgio Vaz de Arruda
Roberta Prata Zvinakevicius
Francisco Araújo Costa Júnior
Afonso Fábio Barbosa Fernandes
Paulo Aramis Albernaz Cordeiro
Antônio Cláudio Cordeiro
Athos Roberto Albernaz Cordeiro
Suzana Marcon
Carmém Regina Albernaz Cordeiro
Cláudio Sá Garcia de Freitas
Ana Lúcia Sampaio Garcia de Freitas
Camilo de Lelis Assunção
Alexandre de Souza e Silva
Claudine Spiero
Michel Spiero
Richard Andrew de Mol Van
Raul Henrique Srour
Marco Antônio Cursini
Nei Seda
Renê Maurício Loeb
Alexander Monteiro
Henri Joseph Tabet
Alberto Cézar Lisnovetzky
Lino Mazza Filho
Carlos Alberto Braga de Castro
Rony Hamoui
Henrique Chueke
Wander Bergmann Vianna
Oswaldo Prado Sanches
Wu yu Sheng
Digo Renzo Candolo
Daniela Figueiredo Neves Diniz
José Carlos Maia Saliba

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