Pressão salarial e greves

8 de fevereiro de 2013

A elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em 0,92% em janeiro ante 0,74% em dezembro, deverá contribuir para ampliar ainda mais a pressão inflacionária no futuro próximo. O INPC é usado como referência para negociações salariais. Em geral, os sindicatos de trabalhadores exigem o repasse integral do índice dos últimos 12 meses e um adicional de ganho real.

“O fator inercial da inflação ocorre tanto pelo lado dos empresários, que querem reajustar preços, quanto pelo dos trabalhadores, que, em um mercado de trabalho apertado como está o nosso, tendem a exigir aumentos salariais”, explicou o presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC).

A margem de negociação por parte das empresas é pequena porque o país vive, tecnicamente, uma situação de pleno emprego. A taxa de desocupação em dezembro foi de 4,6% e, na média dos 12 anos anteriores, de 5,5%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Este será um ano de muitas greves, inclusive no setor público”, preconiza Freitas.

O que poderá arrefecer as pressões por aumentos salariais é a tendência de queda dos índices de preços nos próximos meses. A economista Eulina Nunes, coordenadora desse setor no IBGE, chama a atenção para o fato de que neste mês os reajustes de mensalidades escolares e da gasolina são fatores de elevação do índice. Mas o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, avalia que esses itens serão ofuscados pela queda no preço da energia elétrica. Um terço do impacto da redução aconteceu ainda em janeiro — sem isso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, chegaria a 0,99%. A maior parte do efeito, portanto, ficará para fevereiro, quando Leal espera que o IPCA fique entre 0,50% e 0,55%. Em 12 meses, estará entre 6,21% e 6,26%.



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