Policiais federais em greve ‘abraçam’ Cristo Redentor

12 de setembro de 2012

Policiais federais, em greve há quase um mês, abraçaram simbolicamente nesta terça-feira a estátua do Cristo Redentor, no Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro (RJ). O ato foi para chamar a atenção do governo federal sobre as revindicações da categoria, entre elas a reestruturação salarial e o plano de carreira.

 

O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal, Telmo Corrêa Pereira, disse que a principal reivindicação da categoria é a equiparação salarial com as agências reguladoras do governo federal. De acordo com ele, o salário dos agentes está inferior com relação à complexidade que a profissão exige.

 

"As agências, hoje, ganham entre R$ 13 mil e R$ 19 mil. A nossa complexidade da atividade é muito maior do que das agências e nós ganhamos menos que eles. O nosso objetivo é resolver a distorção que há no governo ao pagar pelo trabalho exercido", disse.

 

Segundo Corrêa, o Ministério da Justiça ainda não se posicionou sobre o anteprojeto enviado à pasta com as reivindicações da categoria, cobrando que o salário dos agentes, escrivães e papiloscopistas seja de nível superior, como é exigido na realização de concursos para o órgão. "Nós não recebemos proposta do Ministério da Justiça. A nossa carreira nem sequer foi comentada com o governo e, por isso, nós continuamos em greve. O governo tem que remeter para a Câmara o projeto da nossa carreira, com atribuições de nível superior que já foram debatidas pelo Ministério do Planejamento", declarou.

 

Durante a manifestação, cerca de mil balões de ar foram soltos no alto do morro, simbolizando os quase mil dias de negociação com o governo federal. Cartazes e uma bandeira com 25 m de comprimento com a mensagem "SOS Polícia Federal" também foram usados.

 

O movimento grevista
Iniciados em julho, os protestos e as paralisações de servidores de órgãos públicos federais cresceram no mês de agosto. Pelo menos 25 categorias entraram em greve, tendo o aumento salarial como uma das principais reinvindicações. O Ministério do Planejamento estima que a paralisação tenha envolvido cerca de 80 mil servidores. Em contrapartida, os sindicatos calculam que 350 mil funcionários aderiram ao movimento.

 

A greve afetou servidores da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Arquivo Nacional, da Receita Federal, dos ministérios da Saúde, do Planejamento, das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e da Justiça, entre outros. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) informou que dez agências reguladoras aderiram ao movimento.

 

Após apresentar proposta de aumento de 15,8%, dividido em três anos, o governo encerrou no dia 26 de agosto as negociações com os servidores. Policiais federais e funcionários do Incra foram as únicas classes que continuaram em greve após o fim das negociações. O orçamento anual do governo, com a previsão de gastos com a folha de pagamentos dos servidores em 2013, foi enviado ao Congresso em 30 de agosto.



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