Agora, o alvo é o procurador

9 de abril de 2012

Em meio às denúncias que comprometem a cada dia a carreira política do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) por suas ligações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a base aliada ao governo mira agora no procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Parlamentares da base aliada estão se organizando para representar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra Gurgel por omissão com relação à Operação Las Vegas, que, em 2009, já apontava para a proximidade entre o senador e o contraventor.

 

Segundo informações publicadas na edição de ontem da ‘Folha de S. Paulo’, os parlamentares querem causar constrangimento ao procurador-geral, que também ocupa o cargo de presidente do CNMP, onde o inquérito da Operação Las Vegas ficou parado desde 2009. Petistas também querem convidar Gurgel a falar sobre o caso Demóstenes-Cachoeira no Conselho de Ética do Senado, que deve ser instalado na terça-feira. Obrigado a se desfiliar do partido a que pertencia, o DEM, o senador ainda corre o risco de ter o mandato cassado.

 

Em Brasília, na semana que começa, parlamentares da base e da oposição vão se movimentar para tentar instalar uma CPI que investigue as relações do bicheiro com Demóstenes e outros políticos já citados no relatório da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu Cachoeira em fevereiro. Isolado em um presídio federal de Mossoró (RN), o contraventor tenta ser transferido para seu estado, Goiás, onde é acusado de comandar esquema ilegal de jogo.

 

‘Caso de esquizofrenia’

 

Para o ex-prefeito Cesar Maia, que é presidente municipal do DEM no Rio, e pai do pré-candidato a prefeito pelo partido, deputado federal Rodrigo Maia, o caso Demóstenes Torres não compromete a legenda: “É um caso de esquizofrenia sem vínculo partidário. Não há um segundo de grampo relacionando com qualquer militante. E olhe que o grampo tem links em outros partidos, o PT de Brasília entre eles.”

 

Rodrigo reforça: “As pessoas acham que a relação dele (Demóstenes) com o PMDB é maior até do que com outros partidos. Daqui para frente, vai ficar claro que era uma pessoa que operava em todos os partidos, em todas as áreas, inclusive em empresas cariocas, como a Delta, que é ligada ao PMDB. Minha preocupação é zero.”



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