Escândalo dos grampos de tabloide derruba ”número 2” da polícia inglesa

19 de julho de 2011

O subcomissário chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), John Yates, renunciou nesta segunda-feira (18) pelo caso das escutas ilegais do "News of the World", um dia depois de seu chefe fazer o mesmo, o comissário-chefe Paul Stephenson.

 Yates esteve a cargo da primeira investigação policial do caso dos grampos telefônicos do tabloide, iniciado em 2006, mas em 2009 deu o caso por encerrado e considerou que não era necessário reabri-lo.A posição de Yates tornou-se praticamente insustentável depois que neste domingo o comissário-chefe renunciou de surpresa devido à sua relação com Neil Wallis, um ex-diretor-executivo do "News of the World", preso na semana passada por seu suposto envolvimento nas escutas telefônicos do tabloide.

 

Yates, que resistiu a renunciar até o último minuto, foi quem supervisionou a contratação de Wallis como consultor da Polícia Metropolitana de Londres e o manteve no cargo até setembro de 2010, quando já havia explodido o escândalo dos grampos.

 

Pouco antes, o subcomissário tinha afirmado aos jornalistas que não tinha intenção de renunciar, visto que não havia feito nada de errado, mas, aparentemente, ia ser suspenso pela comissão disciplinar da polícia, reunida nesta segunda-feira para discutir seu caso.

 

Com a renúncia de Yates, que foi aceita, a Scotland Yard precisará trocar seus dois principais responsáveis a apenas um ano da realização dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, que representam um extraordinário desafio para a segurança de uma cidade de 8 milhões de habitantes.

 

Comissário-chefe da Scotland Yard renunciou domingo

 

O prefeito de Londres, Boris Johnson, negou nesta segunda-feira que tenha forçado a demissão de Paul Stephenson como comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), mas manifestou sua surpresa por sua relação com um jornalista do "News of the World". Stephenson tinha sido criticado por ter mantido até setembro de 2010 o ex-sub-diretor do jornal sensacionalista Neil Wallis como consultor na Scotland Yard, e foi detido nesta semana pelo escândalo das escutas telefônicas.

 

Stephenson apresentou na noite deste domingo sua demissão por causa das escutas telefônicas ilegais desse jornal, após revelar-se que o jornalista Neil Wallis, ex-subdiretor desse periódico e detido em relação ao escândalo das escutas ilegais, foi contratado pela Polícia como consultor.

 

"Está claro que havia um problema em torno da relação entre a polícia e a imprensa. Isso tem que ser agora avaliado", acrescentou.

 

Apesar de tudo, o prefeito ressaltou o bom trabalho de Stephenson, especialmente em relação aos Jogos Olímpicos de Londres de 2012.

 

A imprensa britânica publicou neste domingo que Stephenson passou neste ano cinco semanas em um balneário de luxo patrocinado por Wallis, algo negado pela Scotland Yard, que no entanto admitiu que seu comissário-chefe não abonou essa visita, avaliada em 12 mil libras (equivalente a 13,7 mil euros), pois correu a cargo do gerente do centro.

 

A polícia britânica está sendo muito pressionada porque, além de concluir a investigação das escutas ilegais em 2007 com a mera detenção de duas pessoas, alguns agentes aceitaram durante anos subornos do tabloide em troca de informação.

 

Em entrevista coletiva, Paul Stephenson anunciou que sua decisão de abandonar Scotland Yard se deve à necessidade de manter sua "integridade" intacta e assegurou que não tinha conhecimento da extensão de escutas telefônicas e subornos de "News of the World" quando em 2007 a investigação foi concluída.

 

Brooks é liberada

 

Rebekah Brooks, conselheira delegada no Reino Unido da News International, do magnata Rupert Murdoch, foi liberada pagando uma fiança na madrugada desta segunda-feira (noite de domingo em Brasília), após ser interrogada durante mais de 12 horas pela Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard).

 

Brooks deverá comparecer perante a polícia londrina no final de outubro, diz um comunicado da Scotland Yard, que a interrogou sobre supostas intercepções ilegais de telefones e subornos a policiais quando dirigiu entre 2002 e janeiro de 2003 o tabloide "News of the World" (2002-2003), pertencente a News International.

 

Brooks renunciou na sexta-feira passada como conselheira delegada de News International, ramo britânico do império Murdoch que engloba os jornais "The Sun" e "The Times", assim como 39% do canal de televisão "BSkyB".

 

A jornalista, de 43 anos, renunciou no mesmo dia em que lhe foi comunicado que devia se apresentar na delegacia este domingo embora, segundo um porta-voz, sua detenção a tenha pegado "de surpresa", pois se apresentou na delegacia com a intenção de colaborar com a polícia na investigação.



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