Morte de pedófilo não muda agenda da CPI, diz senador

20 de abril de 2010

A morte, no domingo, do pedreiro Adimar de Jesus Silva numa cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) em nada muda o calendário aprovado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia. Na semana passada, a CPI aprovou convites e convocações de pessoas ligadas ou envolvidas no processo de liberdade do pedreiro responsável pelo assassinato de seis jovens no município goiano de Luziânia.

– Nosso objetivo, com os depoimentos, é evitar que aconteça novamente esse tipo de barbaridade – disse o presidente da comissão, Magno Malta (PR-ES).

Entre os convidados para dar explicações à CPI está o juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Luiz Carlos de Miranda, que colocou em liberdade Adimar de Jesus Silva.

Magno Malta preferiu não se pronunciar ao ser perguntado se o suposto suicídio do pedreiro complicava ainda mais a situação da psiquiatra Ana Cláudia Sampaio, que emitiu laudo favorável à concessão da liberdade ao pedreiro.

– Nós vamos ouvi-la, ela deve ter tido suas razões, mas que houve um erro muito grave, isso houve.

Razão

O senador acrescentou que o episódio mostra que a psiquiatra e promotora da Vara de Execução das Penas e Medidas Alternativas do Distrito Federal, Maria José Miranda, tinha razão neste caso. Ela foi, segundo ele, a única pessoa que, ao conversar com Adimar de Jesus, percebeu que ele tinha problemas mentais. Além disso, teria redigido de próprio punho um parecer ao juiz no qual pontuou argumentos contrários à libertação de Adimar de Jesus.

A Corregedoria da Polícia Civil de Goiás será responsável pelas investigações da morte do pedreiro, assassino confesso dos jovens. Ele foi encontrado morto na cela onde estava preso, com uma corda feita com um lençol amarrada no pescoço. O delegado responsável pelo inquérito, Josuemar Vaz de Oliveira, afirmou que a polícia acredita que Adimar tenha cometido suicídio.

Segundo o delegado, a corregedoria vai investigar o caso porque a morte ocorreu dentro da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) – uma unidade da Polícia Civil.

– Acreditamos que ele tenha cometido suicídio, mas precisamos investigar as circunstâncias.

Josuemar também disse que a morte de Adimar não deve atrapalhar as investigações sobre as mortes dos adolescentes, e que a polícia continua a trabalhar com a hipótese de que o pedreiro cometeu os seis crimes sozinho.

– Até o momento, tudo leva a crer que os jovens foram até o local do crime voluntariamente. Não acreditamos que Adimar tenha recebido ajuda de outra pessoa para assassinar os garotos – pondera.

IML

O Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia (GO) informou segunda-feira que a perícia realizada no corpo de Adimar constatou “morte por asfixia”. Segundo informações do IML, não havia no corpo do pedreiro marcas de perfuração. Além disso, o exame toxicológico não constatou a ingestão de qualquer substância. O laudo oficial deve ficar pronto em dez dias e o corpo deve ser liberado para a família em dois ou três dias.



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