Assassino de João Hélio é solto e recebe proteção

19 de fevereiro de 2010

Um dos condenados pela morte do menino João Hélio, de 7 anos — arrastado por ladrões de carro por sete quilômetros e quatro bairros em 2007 —, foi solto na semana passada e incluído no Programa de Proteção à Criança Ameaçada de Morte (PPCam), mantido pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do governo federal. Depois de cumprir três anos de medida socioeducativa, o jovem, que na época do crime era menor, foi liberado no último dia 10, quando já tinha completado a maioridade. Ele foi levado para outro estado porque teria recebido ameaças de morte durante o tempo em que ficou internado no Instituto João Luiz Alves, na Ilha do Governador.

 

Condenado tem outros quatro registros na polícia A assessoria de imprensa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos confirmou que o jovem foi retirado do Rio. O PPCam tem como objetivo a reintegração à sociedade e a proteção de menores que tenham sido testemunhas de algum crime ou estejam ameaçados.

Além de ser acusado da morte do menino João Hélio, o rapaz tem outras quatro passagens na polícia. Todas ocorreram durante sua internação.

Em uma delas, foi apontado como integrante de um grupo de menores que tentou matar um agente de disciplina na João Luiz Alves. De acordo com o registro, no dia 16 de fevereiro de 2008 — um ano após a morte de João Hélio —, o bando tentou asfixiar o agente com três tiras de pano e cordas. No dia seguinte, o condenado e outros colegas tentaram fugir, organizando um motim.

Em agosto do mesmo ano, outra tentativa de fuga foi registrada, dessa vez no Centro de Atendimento Intensivo Belford Roxo (CAI Baixada).

O único registro em que o rapaz condenado pela morte do menino aparece como vítima é de uma lesão corporal, ocorrida no dia 9 de julho de 2008. O caso foi registrado na 54° DP (Belford Roxo).

De acordo com o site G1, no último dia 8, uma decisão do juiz Marcius da Costa Ferreira, da Vara de Infância e Juventude, afirma que seria “necessário mais tempo para que (ele) se convença das vantagens da mudança de vida, do voluntário afastamento do grupo a que está integrado”.

O juiz diz ainda que “é preciso que (ele) seja estimulado a participar de outras atividades e grupos socialmente saudáveis”, recomendando também que o jovem e a família continuem a receber acompanhamento psicoterápico.

Além do menor, que tinha 16 anos quando João Hélio foi morto, quatro homens foram presos, acusados do crime. A morte do menino em 7 de fevereiro de 2007 chocou o país.

Cinco assaltantes abordaram a dona de casa Rosa Cristina Fernandes, em Oswaldo Cruz, quando ela parou com seu carro numa esquina. O objetivo dos criminosos era roubar o veículo. A mãe e a filha mais velha saíram do carro, mas João ficou preso ao cinto de segurança, do lado de fora do veículo.

O carro, ainda com o menino preso ao equipamento, foi abandonado em Cascadura.



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