Jobim agora diz não saber se maleta da Abin faz grampo  

18 de setembro de 2008

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, recuou ontem da acusação feita por ele há duas semanas de que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) comprou equipamentos capazes de fazer grampos sem depender de operadoras telefônicas. Em depoimento à CPI dos Grampos, Jobim disse só ter recebido informações de que os aparelhos tinham essa capacidade, mas que não tem certeza disso.

Em 1º de setembro, em reunião do conselho político do governo, Jobim afirmou na presença do presidente Lula e de seis ministros que a Abin comprara equipamentos com poder de fazer escutas por meio de comissão do Exército em Washington (EUA). A acusação foi decisiva para o afastamento do diretor da Abin, Paulo Lacerda.

Dois dias depois, após a agência ter contestado, Jobim confirmou a acusação em declaração pública: “Na relação dos aparelhos adquiridos pela Abin, há alguns que têm essa característica de interceptação telefônica”, disse.

Ontem, baixou o tom: “Eu não tenho certeza sobre isso, porque isso dependia de uma investigação (…) Recebi notícias de que esses instrumentos viabilizariam escuta, não fiz nenhuma afirmação”.

Jobim decepcionou a CPI ao entregar o documento que, segundo ele, foi apresentado a Lula, e que provaria a compra das chamadas maletas de grampo. São cinco folhas extraídas da internet com a descrição dos equipamentos no site do fabricante. Questionado se possui o registro oficial da compra, disse: “Não tenho. Posso providenciar, mas não tenho”. Este era o documento aguardado pela comissão.

As suspeitas do ministro e da comissão recaem sobre o Stealth LPX Global Intelligence Surveillance System. A descrição do equipamento no prospecto da internet apresentado à CPI revela a capacidade de grampo, mas Jobim reconheceu que não tem certeza se foi este o modelo adquirido pela Abin: “Se esse que está com eles [Abin] pode ou não pode [grampear], eu não sei”.

Oficialmente, a Abin nega ter equipamento que faça grampo. Em conversas reservadas, autoridades da agência dizem ter adquirido um modelo simples do Stealth, que só faz varreduras. Em tese, ele pode ser adaptado para interceptação.

Jobim afirmou que, na reunião de coordenação política, defendeu o afastamento do diretor da Abin, mas negou que tenha feito isso com base nas informações de compra de maletas. “A decisão [do afastamento de Lacerda] não se deu por força dessa informação, e sim da notícia de que a Abin tinha participado da interceptação [no telefone do presidente do STF, Gilmar Mendes].”

O ministro negou que o Exército tenha comprado para si próprio maletas de escuta.

 



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