Ex-diretora da Anac vai depor no Congresso 

6 de junho de 2008

A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou ontem convite para ouvir Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sobre a denúncia de que teria sofrido pressão da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para aprovar a venda da Varig ao fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson. O pedido de convocação foi apresentado pelo líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), e pela senadora Ideli Salvatti (SC), que comanda a bancada petista. Os dois agiram em linha com o Palácio do Planalto.

Desde o início do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a ministros e parlamentares aliados que respondam de pronto às acusações contra o governo. Primeiro, para reforçar a versão de que o Poder Executivo não teme apuração de qualquer denúncia. Segundo, para impedir que a oposição discurse sozinha na imprensa, deixando os governistas acuados ou numa posição defensiva. Antes de ontem, a determinação já havia sido cumprida em dois casos emblemáticos. Coube ao mesmo Jucá, por exemplo, apresentar o pedido de criação da CPI dos Cartões Corporativos.

Além disso, o requerimento de convocação de José Aparecido Nunes Pires, o ex-secretário de Controle Interno da Presidência da República acusado de vazar o suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique, também foi submetido à CPI por um deputado governista. â??Quem quer se antecipar e tem interesse no esclarecimento das coisas é o governoâ?, disse ontem o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Além de acusar Denise de agir por â??ressentimentoâ?, devido à sua demissão da Anac, o ministro afirmou ser desnecessário um novo depoimento de Dilma no Senado.

â??A doutora Denise terá a chance de, com tranqüilidade, diante do Congresso, dizer quais foram os motivos que a levaram a fazer essa denúncia. Eu acho que tem uma dosagem alta de ressentimento, mas isso não significa que absolutamente tudo seja ressentimentoâ?, disse Múcio. Já o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi mais veemente no apoio a Dilma. â??Não é uma questão de acreditar ou não. Afirmo que não há nenhum envolvimento nesse sentido. Afirmo claramente que o governo só assistiu ao desenrolar dos fatos, que eram confirmados pelo Judiciárioâ?, afirmou Jobim.

Compadre
O acordo da base aliada para aprovar o convite a Denise, o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi e ao advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula acusado de tráfico de influência no processo de venda da Varig, foi costurado na quarta-feira à noite. â??Diante da grande repercussão do caso, o governo resolveu se antecipar aos fatosâ?, afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Durante a sessão, Jucá repetiu o mantra segundo o qual o governo não teme as investigações. â??Não temos compromisso com o erroâ?, declarou o líder. â??Você está jogando para a platéiaâ?, rebateu o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Os requerimentos foram aprovados em votação simbólica. O único voto contrário foi do senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA).

Na próxima-quarta feira, serão ouvidos os ex-diretores da Anac Denise Abreu, Milton Zuanazzi, Jorge Veloso e Leur Lomanto, assim como o ex-procurador-geral da Fazenda Nacional Manoel Felipe Brandão. Haverá ainda uma audiência com o ex-procurador-geral da Anac João Ilídio Filho e o juiz da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayob, responsável pelo processo de falência das companhias aéreas brasileiras.

Daqui a duas semanas, serão ouvidos os três brasileiros que compraram a Varig em sociedade com o fundo norte-americano, Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel, além de Roberto Teixeira. Em outra frente, o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) quer ouvir Denise na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.  



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