DEM e PSDB criticam apuração 

8 de Abril de 2008

A oposição não se contentou com a divulgação de que a Polícia Federal vai investigar o vazamento do dossiê dos cartões corporativos usados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth Cardoso.

Tucanos e democratas endureceram o discurso e cobraram ontem do governo a apuração para descobrir quem montou o documento. â??Não acredito que a PF vá se subordinar ao papelão que o governo quer que ela faça. O Palácio do Planalto usou a máquina do Estado para fabricar um dossiê. Investigar isso não é uma tarefa da PF? Por que só quem vazou?â?, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).

Seu colega de oposição Arthur Virgílio (PSDB-AM) chegou a afirmar que a entrada da PF no caso é uma â??farsaâ?. â??Quero saber é quem fez o dossiê. Por que não fazem uma investigação completa?â?, afirmou o líder do PSDB.

Desde semana passada, a oposição vem exigindo do governo a descoberta de quem fez o dossiê, principalmente depois da pressão feita em cima do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admitiu ter visto o material ainda em fevereiro, antes mesmo da instalação da CPI dos Cartões. A tropa de choque governista insinuou que Dias estaria por trás da criação do documento com informações sobre despesas de Fernando Henrique.

Agora, após a divulgação de que o dossiê foi montado em um computador da Presidência da República, a oposição aumentou a exigência em torno do esclarecimento sobre a autoria. Considerou insuficiente a informação de que a PF investigará o vazamento disso. Até porque alguns adversários do governo duvidam da liberdade da polícia nessa apuração. â??A Polícia Federal tem de ser livre para agir. Se cometer excessos, punam-se os excessos, mas não se podem cercear as suas açõesâ?, disse Heráclito Fortes (DEM-PI), da tribuna do Senado.

Na opinião dele, o governo demorou para pedir ajuda da PF na solução do caso. â??O governo cometeu um pecado grave ao não ter deixado que a polícia agisse espontaneamente, como é o seu deverâ?, disse.

Outro que subiu na tribuna para falar do assunto foi Pedro Simon (PMDB-RS). O peemedebista, que evita assumir um lado nessa briga, ironizou a disputa entre governo e oposição. â??Estamos vivendo um sentido espetacular: é dossiê, levantamento de contas ou é banco de dados. Coisa fantásticaâ?, afirmou. â??E, nesse jogo de palavras, a sociedade fica sem saber o que é.â?

Nenhum governista apareceu para rebater as críticas. Um cenário que tem se tornado comum. A oposição usa e abusa do microfone para criticar o Planalto. O governo tem, pelo menos, 43 senadores considerados fiéis dentro da Casa. Mas, por ora, poucos se arriscam a vestir a camisa no episódio dos cartões corporativos.

 



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